- Bom dia, trouxe alguma roupa? Acho que meu vestido azul
está um pouco... Sujo !
- Claro, amigas até nestas horas, trouxe uma maquiagem
também, você está pálida. Eu espero você se arrumar, e vamos sair daqui urgente
para você me contar tudo !
- Ok.
Me troquei com uma calça jeans simples, uma blusinha tomara
que caia azul marinho e uma jaqueta branca.
( Não se esqueça da sapatilha preta que você adora, aquela cheia de
brilhos ! – Ecoou a voz de Rivica na minha mente ) Tudo bem, a sapatilha preta
brilhante também.
Passei um blush, um batom e um rímel. Saímos do quarto,
deixei Rivica a minha espera e fui até o quarto 31. O vi sentado, se
alimentando sozinho e tentei me conter, mas não consegui desviar de seus olhos
azuis, e como se estivesse me sentindo o observando se virou pra mim e deu um
sorriso de canto quase tão lindo quanto seus olhos. Não resisti e adentrei a
sala em sua direção, as palavras não saiam, apenas olhares, e quase me percebi
mergulhando em um mar quase sem fundo ao olhar na profundeza dos seus olhos.
- Bom dia, já está menos assustada?
- Bom dia, já estou, e a culpa do susto e por eu estar aqui
é sua. Estou indo embora, espero que melhore. – Virei-me sem dizer mais nada,
esperando que ele me chamasse e pedisse meu telefone ou algo do gênero, afinal
eu o havia acompanhado, ao menos gratidão ele deveria...
- Já vai sem me dar tempo de nem ao menos agradecer?
- Então tudo bem. Eu fico.
- Obrigada por ter me ajudado, se estou aqui é porque você
foi rápida o suficiente para pedir socorro e obrigada além de tudo por ter me
acompanhado, um completo estranho pra você. Não suma da minha vida, você a marcou
e precisa permanecer nela. Anjo.
- Não me agradeça, fiz o que qualquer pessoa faria, não
sumirei, agente provavelmente se encontra por ai.
- Não sou tão confiante assim, me deixe seu telefone para
que possamos nos falar.
- Claro.
Ele havia pedido, e eu havia dado meu número de telefone,
agora esperaria ele ligar, e se sou um anjo para ele, com certeza ele ligaria.
Voltei e entrei no carro de Rivica, com ela tagarelando aos meus ouvidos porém
nada eu ouvia. Precisava chegar em casa, colocar meu celular para carregar,
dormir na minha cama, ligar para meus pais e explicar tudo o que aconteceu para
que eles não ficassem preocupados. Enfim, precisava descansar.
E de fato consegui, a semana foi tranquila. A mesma rotina,
durante a Terça, quarta, quinta e sexta feira. Acordar as 06h15, tomar banho,
um café e ir ao trabalho, a noite ia direto para a faculdade. No sábado, fui
para a casa dos meus pais e ainda assim não havia nenhuma mensagem ou ligação.
Na segunda-feira, havia chegado da faculdade muito cansada e fui dormir as
00h37. As 00h42 ouço meu celular tocar. Número desconhecido¿ Quem poderia ser
aquela hora? Atendi rapidamente e ouvi uma voz de homem e grossa, bonita por
sinal.
- Quem fala?
- David, anjo.
- Nossa, que surpresa, a esta hora, estava deitada para
dormir já.
- Eu ligo outro dia, não tem problema.
- Não importa. Como você está¿
- Em casa já, estou bem.
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